Encerramento obrigatório às 13h gera manifestação de “desespero”

16-11-2020

Hotelaria | Restauração

O "encerramento de porta aberta" que os donos de restaurantes temem que leve à bancarrota. As associações de representantes da área contestam o recolhimento obrigatório mais alargado ao fim-de-semana, vigente até 22 de novembro, num protesto na cidade do Porto. A tentativa de "salvar o Natal em família", segundo o primeiro-ministro, poderá ser o fim de muitos negócios familiares portugueses.

A passada segunda-feira (9) ficou marcada por protestos no Porto, onde cerca de trinta proprietários de restaurantes se concentraram na Avenida dos Aliados, seguida de marcha lenta até à VCI, para denunciar o "desespero" do setor face às novas restrições anunciadas para combater a pandemia. Pão e água foram "servidos" em pratos e talheres nas mesas instaladas na Avenida, retrato daquilo que é a realidade em que se encontram.

As vozes e buzinas de carros ecoaram a manhã na cidade, depois do governo decretar o recolher obrigatório ao fim-de-semana, nos 121 concelhos mais afetados pela covid-19, a partir das 13h, dias com mais afluência ao setor (que se junta ao já determinado encerramento dos restaurantes às 22h30). As medidas anunciadas na madrugada de sábado para domingo por António Costa são "extremamente castradoras", segundo Samuel Santos, manifestante em declarações ao jornal Expresso.

A revolta nasceu de "forma espontânea" nas redes sociais, afirma Pedro Maia, motivador da manifestação, à agência Lusa. "O objectivo é sensibilizar as pessoas para o que está a acontecer. Neste momento já não suportamos estas novas medidas, é impensável. Já temos casos de fome dentro de portas, investimos todos os lucros de 2019 no primeiro confinamento e não temos apoios", disse. O dinamizador acredita também que, ao contrário do que parece mostrar António Costa, os restaurantes não são uma fonte de contágio.

Álvaro Costa, dono de uma empresa de consultadoria à restauração e hotelaria, exaltou que mais de metade dos restaurantes "têm metade da sua faturação semanal assente nas refeições de sábado à noite e domingo ao almoço". Samuel Santos confessou que mais dois fins-de-semana com estas medidas pode pôr em questão o futuro dos colaboradores da empresa, já que "os fins de semana representam cerca de 70% da faturação".

"Estamos a pão e água. Queremos trabalhar", "Lutar ou morrer" e "A cura é a morte dos pequenos negócios" lia-se nos cartazes que marcharam pelas ruas. Pedro Maia sublinhou que "Não se trata de uma questão financeira, de perdas ou lucros. É mesmo uma questão de sobrevivência".


Falta de medidas de apoio ao setor

Álvaro Costa apoia a causa dos seus clientes, sem deixar de lado a emergência pandémica vivida. Acusa o governo de uma "perseguição" à hotelaria, restauração e bares " Queremos saber claramente com que apoios contamos para fechar e como vamos pagar salários e rendas. (...) Passam mais pessoas numa caixa de um supermercado num dia do que num mês no meu restaurante, que tem 20 lugares", acrescentou o empresário.

A Associação Nacional de Restaurantes PRO.VAR responsabilizou, num comunicado enviado às redacções do Público, o Governo de "paralisar" o sector, que está "à beira da bancarrota". Dizem que será preciso um "montante colossal" para prevenir uma catástrofe, acompanhado da criação de um gabinete de crise para moderar o setor em plena pandemia.

Fontes: Jornal Público, Jornal de Notícias, Jornal Expresso